MANIFESTO NADA

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

MANIFESTO NADA | ÓPERA
de António de Sousa Dias
a partir de Manifestos DADA de Tristan Tzara

Festival CRIASONS IV
Teatro Aberto, Lisboa
30 Novembro 2022, 21:30
Mais informações

Ópera-manifesto contra e a favor de tudo e decididamente sobre nada. 

MANIFESTO NADA inspira-se no irreverente movimento DADA, que no início do séc. XX provocou rupturas na percepção da arte e inspirou inúmeros artistas e colectivos de vanguarda. Tristan Tzara, considerado o precursor do movimento Dadaísta, afirma claramente com a publicação do livro “Sete Manifestos Dada” (1924) a ruptura entre poesia tradicional e poesia dadaísta, numa atitude provocatória de desconstrução e negação de todas as convenções culturais, sociais, morais, estéticas e linguísticas.

A música de António de Sousa Dias propõe uma viagem possível neste universo, cortejando a desconstrução, flirtando com a colagem, namoriscando a irreverência, num piscar de olhos a diferentes expressões musicais contemporâneas ou próximas do movimento DADA e onde a lógica não é a regra.

Música António de Sousa Dias
Encenação Alexandre Lyra Leite
Baritono Rui Baeta
Sopranos Joana Manuel e Célia Teixeira
Ensemble Fábio Oliveira (trompete), Philippe Trovão (sax tenor),
Guilherme Reis (contrabaixo), António de Sousa Dias (electrónica)

Ficha Artística

Música António de Sousa Dias
Manifestos DADA Tristan Tzara
Libreto e Encenação Alexandre Lyra Leite
Tradução Rita Leite
Barítono Rui Baeta
Soprano Joana Manuel
Soprano Célia Teixeira
Trompete Fábio Oliveira
Saxofone (tenor) Philippe Trovão
Contrabaixo Guilherme Reis
Concepção visual Alexandre Lyra Leite e Rita Leite
Produção executiva Rita Leite
Direcção técnica Fernando Tavares
Assistência técnica Inês Maia
Design gráfico Rita Leite
Registo e edição vídeo Vítor Hugo Costa
Apoio à produção Susana Serralha
Produção Inestética companhia teatral

Estrutura financiada por
República Portuguesa – Cultura / DGArtes
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Apoios
Arte Franca, Imarte, Metafilmes
Agradecimentos
Diogo Delgado

2022 | 50 min | M/12

RÉCITAS

Lisboa
Festival CRIASONS IV, Teatro Aberto, 30 Nov
Vila Franca de Xira
Palácio do Sobralinho, 17 Fev a 5 Mar 2022 (estreia)

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Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

Manifesto Nada | Ópera de António de Sousa Dias

fotos © Vítor Hugo Costa

MEDIA

MANIFESTO NADA
por Rui Freitas
Artes&contextos, Março 2022

Se o dadaísmo ainda pode existir (e quanto faria falta algum dadaísmo aos nossos dias e costumes) António Sousa dias e Alexandre Lyra Leite incarnaram-no, e de forma primorosa passaram-no aos performers, que por sua vez o beberam e o vivem de uma forma notável nesta obra. 

O termo Manifesto, deriva do latim Manifestus, e é uma declaração de princípios e de intenções, geralmente de um grupo e até ao final do séc. XIX era exclusivamente político.
O Manifeste Dada (1918) de Tristan Tzara, tanto pode ser encarado como uma declaração estética, política, social, mas no fundo é tudo isto ou outra coisa qualquer e afirma-se desde logo contra os manifestos. 

“I write a manifesto and I want nothing, yet I say certain things, and in principle I am against manifestos, as I am also against principles.” Manifeste Dada, Tristan Tzara,1918

Os dadaístas pretenderam, provocar uma cambalhota espalhafatosa na sociedade e nos seus valores, sobretudo, mas não só, estéticos. 
Orientavam-se de acordo com um niilismo político e social e uma anarquia da arte, para combater a ordem estabelecida e os gostos burgueses; um dos principais objetivos de todas as suas criações e manifestações era chocar. Exaltavam o descrédito na humanidade, no sentido da vida, na individualidade (radical), na subserviência a sistemas de crenças e valores contraditórios. O dadaísmo, mais do que um movimento era uma atitude. A ideia de uma obra era mais importante do que o “objeto” final, a própria obra. 

A Arte Dada pretendia mais do que chocar, ofender, para não alimentar as ilusões de um propósito na vida. Pretendiam com a sua apologia do absurdo e do irracional, escrnecer e ridicularizar os sistemas e crenças que tentavam – diziam – justificar o propósito da vida, desde a religião ao amor, da cultura ao consumismo, do nacionalismo à família etc. 
Tzara dizia que se contradiria se não se contradissesse e o afirmasse também. 

Num cenário luminoso e limpo, sob um fresco floral no teto de uma sala do Palácio do Sobralinho, encontramos Rui Baeta e Joana Manuel, ao centro, estáticos como manequins e na penumbra os três músicos instrumentistas. Mais afastado do centro de cena, um mono coberto com um pano branco. 
Os dois líricos à boca de cena, acordam para começarem a desfiar o texto do Desgosto Dadaísta, com os instrumentos em cumplicidade a sublinhar a repetição da palavra Dada. Ou a dizê-la, na sua língua. 
Às duas vozes iniciais, junta-se a Célia Teixeira, que destapado o mono, era quem se encontrava por baixo da cobertura, e ora a declamarem, em tom coloquial ou exaltado, ora a cantarem desgarradamente ou em coro, e com o Rui Baeta a executar movimentos de dança desconcertados e patéticos, o Dada entrou. 

De entre as diversas leituras que se pode fazer dos textos dos manifestos Dada, nenhuma nos pode levar a encará-los como normais aos olhos do abençoado senso comum. Nesta dramatização, o encenador Alexandre Lyra Leite, escolheu o lado mais cómico e interpretou-o sem a mordacidade patente e velada no texto original, potencialmente sarcástico e até violento, conquanto irónico. 
O contexto instrumental de António de Sousa Dias, é tão irónico quanto brilhante e os três instrumentos, o trompete de Fábio Oliveira, o Tenor Sax de Philippe Trovão e o contrabaixo de Guilherme Reis são vozes que repetem com sarcasmo o que apregoam as vozes líricas e suportam as danças patéticas e os dislates do Rui, da Célia e da Joana. Fazem-lhe coro, dão-lhes ligação tanto quanto as dispersam e se dispersam, e também dizem de sua voz parecendo por vezes querer sair da performance para iniciar um percurso autónomo. 
Tal como os cantores/declamadores, fazem-no, tanto de uma forma monótona e monotónica, por vezes compassada e com laivos melódicos, outras gritando em desenhos sinuosos e imprevisíveis. 

O ambiente musical de Sousa Dias, sem perder nunca a identidade única e de conjunto passeia livremente, e tanto nos pode levar aos experimentalismos de John Cage ou Sun Ra, e aos desalinhos de Tom Waits quanto a Scott Joplin ou a um cabaret, talvez Cabaret Voltaire
Há momentos em que os três atores/cantores estão cada um no seu momento, independentes de tudo o que corre à sua volta e o caos vai impregnando a cena. De uma forma brilhante, o espetáculo decorre sinuosamente num todo falsamente desordenado, mas com o rigor ostensivamente caótico e pontualmente, ora cacofónico, ora melódico, onde a vocalização assume uma tonalidade quase sempre um patética. Um sorriso cínico, apalermado e plástico decora a face da Célia, cuja personagem assume por vezes o papel de um eco desconcertado e desconcertante das outras duas. 
Numa saída e reentrada a cena é enriquecida com uma gaiola de pássaro com uma pistola pendurada no interior e cuja base amovível se revela portadora de uma cábula para o Rui, e com pés de microfone com mãos modeláveis no lugar do micro, que a Joana usa para apontar o publico com ar sinistro. 

O dadaísmo cresce até ao fim e a linguagem ou as linguagens vão sofrendo transfigurações, sem, contudo, alguma vez se desagregarem ou perderem o todo, reencontrando-se, quase sempre arrastados pela cumplicidade instrumental. O manifesto vai sendo desfolhado em canto ou declamação, onde Baeta vai do patético ao solene e volta, ilustrado por danças grotescas e vocalizações espampanantes; e com conivência do instrumental ora redondo ora afiado. 
Após uma saída de cena, que poderia ser só mais uma de várias, segue-se um nada que confirma o fim da peça. Ou confirmaria, não fosse Dada o seu espírito, porque a seguir regressa a Joana descalça, com os sapatos na mão, para se dirigir a um espectador com uma lenga-lenga sem sentido sobre preços e câmbios disparatados. Saiu… 

Se o dadaísmo ainda pode existir (e quanto faria falta algum dadaísmo aos nossos dias e costumes) António Sousa dias e Alexandre Lyra Leite incarnaram-no, e de forma primorosa passaram-no aos performers, que por sua vez o beberam e o vivem de uma forma notável nesta obra. 
Ah… quando Rui Breda nos diz à boca de cena, com olhos arregalados e sorriso apalermado, “vós sois todos adoráveis”, não sei mesmo se neste contexto será prudente considerá-lo um elogio… 

Rui Freitas
Jornalista. Licenciado em Estudos Artísticos.

FACEBOOK

“Um barítono, duas sopranos e três músicos de excelência dão alma, voz e corpo à desconstrução e à irreverência, à negação de todas as convenções, seguindo a lógica do absurdo. Em tempos insanos de indefinição e asfixia, a explosão DADA pacifica e alivia.
Em cena no Palácio do Sobralinho. A não perder.”
Clara de Barros, professora

“J’ai Adoré !!!! C’est absolument génial !!!
Bisous et félicitations à vous deux et à toute l’équipe !!!!”
Tatiana Spitzer, artista plástica

“Encantador e delicioso. Confirmo. Muitos parabéns a todos.”
David Santos, historiador de arte

“Adorei. Dada! Grande loucura! Da música aos músicos; dos cantores/actores, aos figurinos e encenação. Muito bom, divertido. O todo e o seu contrário. Grande espectáculo. Parabéns!”
João Vieira, guionista

Biografias

António de Sousa Dias | compositor
Compositor, artista multimédia, professor e investigador, António de Sousa Dias é doutorado em Estética, Ciências e Tecnologias das Artes – Música e diplomado com o Curso Superior de Composição. É autor de obras explorando diversas formações e géneros bem como de música para filmes. A performance e o teatro musical também desempenham um papel importante no seu percurso, donde a colaboração com grupos como: ColecViva, Grupo Música Nova e Les Phonogénistes. Actualmente, o multimédia, a instalação e a criação visual encontram-se nos seus focos de interesse, assim como a recuperação de obras musicais (através de transcodificação ou transferência tecnológica). É Professor Associado na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Alexandre Lyra Leite | encenador
Nasceu em Lisboa, em 1971. Licenciado em Cinema na ESTC – Escola Superior de Teatro e Cinema, Lisboa. Estudou Produção e Gestão Teatral no IFICT – Instituto de Formação, Investigação e Criação Teatral. 
Em 1991 fundou a Inestética companhia teatral, onde desenvolve actividade profissional como director artístico, encenador, produtor e autor. Encenou espectáculos nas áreas do teatro, performance e ópera, bem como vários musicais infantis para a Universal Music Portugal. Para além de textos originais, concebeu e dirigiu espectáculos a partir de Franz Kafka, Fernando Pessoa, Charles Baudelaire, Edgar Allan Poe, Italo Calvino, William Blake, Tristan Tzara, entre outros. Deu aulas no Curso Superior de Produção Multimédia Interactiva, IPA – Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos, Lisboa, e foi formador entre 2006 e 2018 na ETIC, em Lisboa, nos cursos de Realização, Vídeo e Animação 2D/3D. Premiado em três edições do Concurso “O Teatro na Década”, organizado pelo Clube Português de Artes e Ideias, e bolseiro na área de Artes do Espectáculo/Teatro do Centro Nacional de Cultura, Lisboa, e da Fundação Calouste Gulbenkian, no programa de Novos Encenadores. Em 1996 foi distinguido com a Placa de Mérito Cultural da Cidade de Vila Franca de Xira.

Rui Baeta | barítono
Diplomado em Canto pela Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa (1998) e licenciado em Canto pela Escola Superior de Música de Lisboa (2002). Barítono, cantor solista, intérprete, professor de técnica vocal e criador/director de projectos musicais. Já colaborou com os encenadores Diogo Infante, Ricardo Pais, Alexandre Lyra Leite, João Grosso, Olga Roriz, Jonh Retalack, Nuno Cardoso, André Kowlavski, João Lourenço e Jorge Silva Melo, entre outros. Aperfeiçoamento artístico na Fondation Hindemith na Suíça, na Academie Francis Poulenc em França e na Mozarteum Akademie na Áustria. Na qualidade de barítono solista destacam-se concertos com Orquestra Nacional do Porto, Orquestra de Cascais e Oeiras, Orquestra das Beiras, Orquestra do Algarve, Camerata de Lyon, Ensemble D’Arcos, Sinfónica Portuguesa, Metropolitana de Lisboa e FCG. Protagonizou as óperas de câmara “O Corvo” de Luís Soldado, a partir de Edgar Allan Poe, “Tabacaria” de Luís Soldado, a partir de Fernando Pessoa, e “As Flores do Mal” de Luís Soldado, a partir de Charles Baudelaire, produzidas pela Inestética companhia teatral.

Joana Manuel | soprano
Membro do Coro Gulbenkian entre 1998 e 2005, actriz desde 2001, trabalhou como performer ou co-criadora com Fernando Gomes, Ricardo Pais, Caroline Petrick, Giorgio Barberio Corsetti, Nuno M Cardoso, Nuno Carinhas, Fernanda Lapa, Victor Hugo Pontes, Teatro Cão Danado, ColecViva, Rui Galveias, Teatro Cão Solteiro e Teatro Praga, e no cinema, audiovisual e video-instalação com A.P. Vasconcelos, Tiago Alvarez Marques, Sérgio Graciano, António Pinhão Botelho, Simão Cayatte, Mariana Silva, João Pais da Silva e Pedro Neves Marques. Vocalista do grupo ‘el Sur’. Autora de “O Espelho Invertido (e outro texto)”, editado pela Douda Correria.

Célia Teixeira | soprano
Licenciada em Canto Lírico pela Escola Superior de Música de Lisboa e mestre de Ensino da Música na mesma Instituição. É soprano do Coro da Chorakademie de Lübeck na Alemanha. Já colaborou inúmeras vezes com o Festival Peças Frescas no São Luiz Teatro Municipal, o Festival Dias da Música no CCB, o Festival Música Viva da Miso Music, com o Programa Jovens Compositores do Teatro Nacional de São Carlos e com o festival Operafest de Lisboa. Apresentou-se com o Coro Divino Sospiro no Festival Internacional de Música de Marvão e no Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi solista das obras “O mar que se quebra” do compositor João Carlos Pinto, “Lilith” do compositor Pedro Finisterra e “ Courage to follow the way” do compositor Daniel Davis.
Estreou a ópera “Até que a morte nos separe” da compositora Ana Seara no festival Operafest, a ópera “Flores do Mal” do compositor Luís Soldado, produzida pela Inestética companhia teatral e a ópera de câmara “Precisas de falar?” do compositor Francisco Fontes, produzida pelo Gnration. Apresentou-se também como cantora solista na ópera “Pinocchio” de Pierangelo Valtinoni, nos espetáculos “Once upon a time” e “Arquivo” de Manuela Ferreira, “Orfeu e Eurídice” de Olga Roriz e “Baú da Descoberta” de Sara Ross e Daniel Davis. Colaborou com os encenadores António Pires, Claudio Hochman, Manuel Jerónimo, Tiago Rodrigues, Linda Valadas, Olga Roriz, Ávila Costa e Manuela Ferreira e com os maestros Jan Wierzba, Rui Pinheiro, Alberto Roque, Paulo Lourenço, Massimo Mazzeo, António Baptista, Paulo Matos, entre outros.

Fábio Oliveira | trompete
Começou os estudos musicais aos 8 anos na escola de música da Sociedade Filarmónica Humanitária. Com 11 anos ingressou no Conservatório Regional de Palmela na classe de trompete do professor Mário Carolino. Aos 18 anos ingressou na Universidade de Évora no Curso de Música variante de Interpretação onde trabalhou com o professor Pedro Monteiro, onde conclui a Licenciatura. Durante este período frequenta diversas Masterclasses e Conferências com diversos músicos de renome tais como Jorge Almeida, António Quitalo, David Burt, Stephen Mason, Gábor Tarkövi, Jeroen Berwaerts, Per Ivarsson, Fruzsina Hara, Sérgio Pacheco, Nenad Markovic, entre outros. Tem desenvolvido atividade com freelancer colaborando nos mais variados tipos de projetos e estilos musicais. Atualmente é músico da Banda de Música da Força Aérea Portuguesa, e músico da Kalimotxo Orkestar. Colabora regularmente com vários projectos na área do jazz, música ligeira, música de câmara e bandas filarmónicas.

Philippe Trovão | Saxofone (tenor)
Nasceu em 1992 em St. Tropez, França. Aos 8 anos começou os estudos musicais na Sociedade Filarmónica Vestiariense e aos 11 anos ingressa na Academia de Música de Alcobaça. Em 2010 prossegue os estudos na Escola Superior de Música de Lisboa com José Massarrão, onde finalizou a licenciatura em saxofone e o mestrado em ensino da música. Vencedor de vários prémios nacionais e internacionais, também se apresentou como solista com a Camerata de Sopros Silva Dionísio, com a Orquestra Sinfónica da Escola Superior de Música de Lisboa e com a Orquestra Sinfonieta de Chieri, em Itália. Esteve envolvido em vários projectos multidisciplinares, entre eles o bailado “Dance bailarina, dance”, com a Companhia Nacional de Bailado, o espectáculo “As Artes no Panteão: Ecos de um Meta-Tempo”, uma colaboração da Escola Superior de Música, Escola Superior de Dança e Escola Superior de Teatro e Cinema, a peça de teatro “Medeia”, uma colaboração entre o Laboratório de Música Mista da ESML e a Escola Superior de Teatro e Cinema e a peça ODISSEIA, com Teresa Sobral e José Raposo, onde trabalhou como sonoplasta. Dedicado ao desenvolvimento de projectos criativos realizou várias residências artísticas, entre elas com a Associação Dias da Música Electroacústica, em Seia, e residência inserida no programa Talentes Emergentes, da Miso Music Portugal. É presença assídua em concertos de música improvisada e realizou concertos em vários festivais de música contemporânea portugueses. Para além da música improvisada e da criação/composição dedica-se à recuperação de obras para instrumento(s) e dispositivo electroacústico, ao estudo do repertório contemporâneo para saxofone, ao estudo de síntese sonora e à performance. É membro do ensemble residente da Associação Disrupção. Está a desenvolver um projecto de investigação, RECAST, e em 2021 lançará o seu primeiro disco em nome próprio.
Lecciona no Conservatório Regional Silva Marques, em Alhandra e no Conservatório de Música de Santarém.

Guilherme Reis | contrabaixo
Natural de Lisboa, estuda na Academia Nacional Superior de Orquestra sob a orientação do prestigiado professor Yury Aksenov. No mesmo curso foi também aluno do professor Ercole de Conca e Vladimir Kouznetzov.Obteve menção honrosa nos concursos Cultivarte Escalão B (cordas) em 2016 e no V Concurso Nacional de Cordas Vasco Barbosa Contrabaixo Juvenil em 2019.
Em 2017 gravou um CD, “Pinho Vargas Bruckner”, com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e Pedro Amaral.Em 2019 gravou um CD, “Estreias Mundiais”, com a Orquestra Sinfónica Juvenil e Christopher Bochmann. Estreou obras de Christopher Bochmann, António de Sousa Dias, Pedro Amaral, e Nelson Jesus.Em 2018 participou nos “Dias da Música em Belém”.Em 2019 participou nos 125 anos Teatro São Luiz e no Festival ao largo.Colaborou com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Sinfónica Juvenil, Orquestra Sinfónica de Thomar e Orquestra Académica Filarmónica Portuguesa.Em 2018 estreou-se como elemento participante da Orquestra Sinfónica Juvenil e desempenha funções como chefe de naipe desde 2019.

AS FLORES DO MAL

As Flores do Mal | ópera, a partir de Charles Baudelaire

AS FLORES DO MAL | ÓPERA
de Luís Soldado e Alexandre Lyra Leite
a partir de Charles Baudelaire

Palácio do Sobralinho, Vila F. Xira
31 Out a 17 Nov 2019

Os poemas “condenados” e banidos do livro “As Flores do Mal” foram o ponto de partida para a criação do libreto e composição musical desta ópera, que exalta a transgressão poética de Charles Baudelaire nas múltiplas e contraditórias emoções do masculino e do feminino.

Considerada um dos expoentes máximos da poesia moderna e simbolista, esta obra do poeta francês, publicada em 1857 e recolhida poucos dias após o seu lançamento por atentado à moral, aborda as temáticas intemporais do amor e do erotismo, desejo, vício, solidão e decadência, com uma  inquietante sensualidade. Seis poemas foram suprimidos para que o livro de Baudelaire pudesse voltar a ser editado.

barítono Rui Baeta | sopranos Inês Simões, Célia Teixeira

Ficha Artística

Música Luís Soldado
Poemas Charles Baudelaire
Tradução Rita Leite
Libreto e Encenação Alexandre Lyra Leite
Direcção Musical Rui Pinheiro
Barítono Rui Baeta
Soprano Inês Simões
Soprano Célia Teixeira
Flauta Daniela Pinheiro
Viola d’arco Magda Pinto
Violoncelo Sofia Azevedo
Contrabaixo Samuel Pedro
Figurinos Rita Álvares Pereira
Concepção visual Rita Leite
Make-up e cabelos Catarina Esteves
Desenho de luz Alexandre Lyra Leite
Direcção técnica Fernando Tavares 
Design gráfico Rita Leite
Gravação e Edição audio José Grossinho
Registo e Edição vídeo Vítor Hugo Costa
Pianista correpetidor Helder Marques
Apoio à produção Susana Serralha
Produção Inestética companhia teatral 2019
Estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura / DGArtes e Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Apoios União das Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, Arte Franca – Publicidade, Imarte – Design, [Metafilmes], Pingo Doce, Ateneu Artístico Vilafranquense

2019 | 60 min | M/14


Vila Franca de Xira
Palácio do Sobralinho, 31 Out a 17 Nov 2019 (estreia)

As Flores do Mal não contêm poemas históricos nem lendas; nada que tenha que ver com uma forma narrativa. Nenhum discurso filosófico. A política está ausente, as descrições são escassas e sempre significativas.
Mas tudo no livro é fascinação, música, sensualidade poderosa e abstracta… Luxo, forma e voluptuosidade.

– Paul Valéry –
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As Flores do Mal

Célia Teixeira (soprano) e Rui Baeta (barítono)

As Flores do Mal

Inês Simões (soprano) e Rui Baeta (barítono)

As Flores do Mal

Rui Baeta (barítono)

As Flores do Mal

Inês Simões (soprano)

As Flores do Mal

Inês Simões e Célia Teixeira (sopranos)

As Flores do Mal

Rui Baeta (barítono) e Célia Teixeira (soprano)

As Flores do Mal

Célia Teixeira (soprano)

As Flores do Mal

Inês Simões (soprano)

As Flores do Mal

Inês Simões (soprano)

As Flores do Mal

Rui Baeta (barítono)

As Flores do Mal

Inês Simões (soprano)

As Flores do Mal

Célia Teixeira (soprano) e Samuel Pedro (contrabaixo)

As Flores do Mal

Célia Teixeira (soprano) e Rui Baeta (barítono)

As Flores do Mal

Inês Simões (soprano), Célia Teixeira (soprano) e Rui Baeta (barítono)

As Flores do Mal

Inês Simões e Célia Teixeira (sopranos)

Imagens © Vítor Hugo Costa

ÁLBUM CD / DIGITAL
Biografias

Luís Soldado | compositor

Investigador integrado no Centro de Sociologia e Estética Musical, CESEM, Universidade Nova de Lisboa, onde se encontra a desenvolver projetos relacionados com o estudo e composição de ópera contemporânea e suas novas formas de comunicação, como bolseiro de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Desde 2015 ocupa o cargo de Compositor Associado da Orquestra Clássica do Sul. A sua música tem sido programada por vários grupos e orquestras, entre os quais, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, London Contemporary Chamber Orchestra, Nederlands Blazers Ensemble, RCM Sinfonietta, Orquestra Gulbenkian e Composers Ensemble. De entre as suas obras mais recentes, destacam- se a ópera de câmara Hotel Suite, com libreto de Rui Zink, estreada em 2011, em Londres, a ópera Fado Olissiponense, com libreto de Rui Zink, estreada em 2012 no Teatro Nacional de São Carlos. Com a Inestética compôs a ópera de câmara “O Corvo”, a partir de Edgar Allan Poe, estreada em 2015 e editada em CD em 2016, a ópera “Tabacaria”, a partir de Fernando Pessoa, estreada em 2017, e a música do espectáculo “Noir”, de Alexandre Lyra Leite, a partir de Edward Gorey.

Alexandre Lyra Leite | libreto e encenação

Nasceu em Lisboa, em 1971. Licenciado em Cinema na ESTC – Escola Superior de Teatro e Cinema, Lisboa. Estudou Produção e Gestão Teatral no IFICT – Instituto de Formação, Investigação e Criação Teatral. 
Em 1991 fundou a Inestética companhia teatral, onde desenvolve actividade profissional como director artístico, encenador, produtor e autor. Encenou espectáculos nas áreas do teatro, performance e ópera, bem como vários musicais infantis para a Universal Music Portugal. Para além de textos originais, concebeu e dirigiu espectáculos a partir de Franz Kafka, Fernando Pessoa, Charles Baudelaire, Edgar Allan Poe, Italo Calvino, William Blake, Tristan Tzara, entre outros.
Deu aulas no Curso Superior de Produção Multimédia Interactiva, IPA – Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos, Lisboa, e foi formador entre 2006 e 2018 na ETIC, em Lisboa, nos cursos de Realização, Vídeo e Animação 2D/3D. Premiado em três edições do Concurso “O Teatro na Década”, organizado pelo Clube Português de Artes e Ideias, e bolseiro na área de Artes do Espectáculo/Teatro do Centro Nacional de Cultura, Lisboa, e da Fundação Calouste Gulbenkian, no programa de Novos Encenadores. Em 1996 foi distinguido com a Placa de Mérito Cultural da Cidade de Vila Franca de Xira.

Rui Pinheiro | direcção musical

Actual Maestro Titular da Orquestra Clássica do Sul (Algarve). Terminou recentemente um contrato de dois anos como Maestro Associado da Orquestra Sinfónica de Bournemouth (Reino Unido). Em Portugal dirige regularmente as orquestras Gulbenkian e Sinfónica Portuguesa entre outras. Internacionalmente destacam-se concertos com a Ópera de Gales, Orquestra Sinfónica de Bournemouth, Orquestra Estatal ‘Ion Dumitrescu’ (Roménia) e apresentações nos BBC-PromsPlus, festival Vienna – City of Dreams (Philarmonia Orchestra) e no Barbican em Londres. Foi Director Musical do Ensemble Serse (ópera barroca em instrumentos de época) e do Ensemble Disquiet (música contemporânea). Possui um Mestrado em Direcção de Orquestra do Royal College of Music (Londres). Após concluir a licenciatura em piano na ESMAE estudou na Academia Ferenc Liszt (Budapeste). Possui um Mestrado em Artes Musicais da Universidade Nova de Lisboa. Gravou para a RDP–Antena 2, BBC-Radio 3 e para a Numérica.

Rui Baeta | barítono

Diplomado em Canto pela Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa (1998) e licenciado em Canto pela Escola Superior de Música de Lisboa (2002). Barítono, cantor solista, intérprete, professor de técnica vocal e criador/director de projectos musicais. Já colaborou com os encenadores Diogo Infante, Ricardo Pais, Alexandre Lyra Leite, João Grosso, Olga Roriz, Jonh Retalack, Nuno Cardoso, André Kowlavski, João Lourenço e Jorge Silva Melo, entre outros. Aperfeiçoamento artístico na Fondation Hindemith na Suíça, na Academie Francis Poulenc em França e na Mozarteum Akademie na Áustria. Na qualidade de barítono solista destacam-se concertos com Orquestra Nacional do Porto, Orquestra de Cascais e Oeiras, Orquestra das Beiras, Orquestra do Algarve, Camerata de Lyon, Ensemble D’Arcos, Sinfónica Portuguesa, Metropolitana de Lisboa e FCG. Protagonizou a ópera de câmara “O Corvo”, de Luís Soldado, a partir de Edgar Allan Poe, e a ópera “Tabacaria”, de Luís Soldado, ambas produzidas pela Inestética companhia teatral.

Inês Simões | soprano

É Mestre em Artes, Estudos Vocais Avançados, pela Wales International Academy of Voice, onde estudou com Dennis O’Neill, e em Canto pela Guildhall School of Music and Drama, onde ganhou o Tracey Chadwell Memorial Prize, participou no curso Opera Works da English National Opera, e coordenou o projeto Mini Operas. É licenciada pela Academia Nacional Superior de Orquestra. Ganhou o 3º lugar do Prémio Jovens Músicos 2010 e o 2º lugar no Prémio José Alegria em 2008. Em ópera, trabalhou com os maestros Hannu Lintu, Paul McCreesh, João Paulo Santos e Nuno Côrte-Real, os encenadores Alexandre Lyra Leite, Ricardo Neves-Neves, Figueira Cid, Max Hoehn e Fernanda Lapa. Apresentou-se em várias cidades do país, no âmbito do projeto europeu ENOA, em vários festivais em Londres e colaborou com Festival Dias da Música no CCB, Festival Terras Sem Sombras, Ensemble d’Arcos e Ensemble Contemporaneus. Apresenta-se regularmente em recital e é uma grande entusiasta de música contemporânea, tendo cantado para o Oxford Lieder Festival, Song in the City Concert Series, Barbican Hall, Barbican Pit, Sadler’s Wells, London Coliseum, British Museum, Millennium Centre, BBC Radio 3 In Tune e Antena 2. Em 2015 lançou o seu primeiro Cd – Alma Ibérica – pela Editora Discográfica Sonus Music. Co-protagonizou a ópera de câmara “Tabacaria”, de Luís Soldado, produzida pela Inestética companhia teatral.

Célia Teixeira | soprano

Licenciada em Canto Lírico pela Escola Superior de Música de Lisboa (2017) e a frequentar o mestrado em Ensino da Música na mesma Instituição. Apresentou-se como cantora solista nos espetáculos “Once upon a time”, “Arquivo” e na ópera “Pinocchio” de Pierangelo Valtinoni no Theatro Circo. Integrou também os espetáculos “Orfeu e Eurídice” de Olga Roriz, “Ester” do atelier de ópera da ESML e “Baú da Descoberta” de Sara Ross e Daniel Davis. Apresentou-se com o Coro Divino Sospiro no Festival Internacional de Música de Marvão e no Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi solista das obras “O mar que se quebra” do compositor João Carlos Pinto, “Lilith” do compositor Pedro Finisterra e “ Courage to follow the way” do compositor Daniel Davis. Protagonizou a ópera de câmara “Precisas de falar?” do compositor Francisco Fontes produzida pelo Gnration. Já colaborou inúmeras vezes com o Festival Peças Frescas no São Luiz Teatro Municipal, o Festival Dias da Música no CCB, o Festival Música Viva da Miso Music e com o Programa Jovens Compositores do Teatro Nacional de São Carlos. Colaborou também com os encenadores Claudio Hochman, Manuel Jerónimo, Tiago Rodrigues, Linda Valadas, Olga Roriz, Ávila Costa e Manuela Ferreira e com os maestros Alberto Roque, Paulo Lourenço, Massimo Mazzeo, António Baptista, Paulo Matos, entre outros.

As Flores do Mal | ópera, a partir de Charles Baudelaire

foto de capa © Alexandre Lyra Leite

AS FLORES DO MAL | ÓPERA
Composição realizada por Luís Soldado no âmbito do seu pós-doutoramento (SFRH/BPD/114908/2016), a decorrer no Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Ópera TABACARIA no Centro Cultural do Morgado, Arruda dos Vinhos

A Inestética companhia teatral apresenta a ópera “Tabacaria” de Luís Soldado e Alexandre Lyra Leite, a partir do poema homónimo de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa, no Centro Cultural do Morgado, em Arruda dos Vinhos, no próximo dia 21 de Setembro de 2019, pelas 22 horas.
O espectáculo encerra o Fórum Cultural 2019 e está inserido na programação das Comemorações dos XXX anos da Biblioteca Municipal Irene Lisboa.

Tabacaria | Ópera de câmara -Centro Cultural do Morgado

A estranheza da existência e a incompreensão do real são os temas centrais desta abordagem contemporânea a um dos mais belos poemas de sempre, escrito em 1928 por Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa.

Visão niilista ou uma “espécie de epopeia do fracasso absoluto”, como designou o pessoano Robert Bréchon, “Tabacaria” coloca em permanente diálogo duas dimensões opostas, que serviram de inspiração para a estruturação da obra musical e das suas texturas sonoras: a solidão interior do protagonista, lugar de pensamento, introspecção e devaneio, e a intrusão do universo exterior, observado através de uma janela para o mundo, aqui representado pela presença da voz feminina.

TABACARIA | ÓPERA DE CÂMARA
A partir do poema de Álvaro de Campos
Centro Cultural do Morgado, Arruda dos Vinhos
21 Setembro 2019, 22:00
Bilhetes à venda no Posto de Turismo de Arruda
Informações: 263 977 008

Música Luís Soldado
Poema Álvaro de Campos / Fernando Pessoa
Encenação Alexandre Lyra Leite
Direcção musical Rui Pinheiro
Interpretação Rui Baeta (barítono) e Inês Simões (soprano)
Ensemble Daniela Pinheiro (flauta), Catherine Stockwell (fagote), Magda Pinto (viola) e Sofia Azevedo (violoncelo)
Produção executiva Rita Leite
Assistência técnica Fernando Tavares
Produção Inestética companhia teatral

Projecto financiado por República Portuguesa – Cultura / DGArtes, Fundação GDA, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Colaboração Casa Fernando Pessoa
Apoios Arte Franca – Publicidade, Imarte – Design