TABACARIA | ÓPERA DE CÂMARA, a partir de Fernando Pessoa

Música Luís Soldado
Texto Álvaro de Campos / Fernando Pessoa
Encenação Alexandre Lyra Leite
Direcção musical Rui Pinheiro
Barítono Rui Baeta
Soprano Inês Simões
Ensemble Daniela Pinheiro (flauta), Catherine Stockwell (fagote), Magda Pinto (viola), Sofia Azevedo (violoncelo)

 


Palácio do Sobralinho
2 a 19 de Novembro 2017
Sobralinho, Vila Franca de Xira
Quinta a Sábado, às 21:30 / Domingos às 18:00
M/12 anos
Estreia absoluta

Sessão Extra – Dom 19 Nov, 21:30

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“Não sou nada.
 Nunca serei nada.
 Não posso querer ser nada.
 À parte isso, tenho em mim
 todos os sonhos do mundo.”

 

Adaptação inédita para ópera do poema “TABACARIA”, de Álvaro de Campos, para barítono, soprano e ensemble.

A estranheza da existência e a incompreensão do real são os temas centrais desta abordagem contemporânea a um dos mais belos poemas de sempre, escrito em 1928 por Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa.

Visão niilista ou uma “espécie de epopeia do fracasso absoluto”, como designou o pessoano Robert Bréchon, “Tabacaria” coloca em permanente diálogo duas dimensões opostas, que serviram de inspiração para a estruturação da obra musical e das suas texturas sonoras: a solidão interior do protagonista, lugar de pensamento, introspecção e devaneio, e a intrusão do universo exterior, observado através de uma janela para o mundo, aqui representado pela presença da voz feminina.

Terceira produção da Inestética companhia teatral no domínio da ópera contemporânea, da autoria da dupla Luís Soldado / Alexandre Lyra Leite, que já apresentaram “Serei Eu Fugindo?” (2013), com libreto de Rui Zink, e “O Corvo” (2015), de Edgar de Allan Poe, editado em CD.

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O POEMA

“Tabacaria” foi escrito em 1928 e publicado em Julho de 1933 na revista Presença. Considerado um dos poemas mais importantes do século XX por inúmeros escritores e ensaístas literários, foi escrito na designada fase Pessimista de Álvaro de Campos e consiste num dos textos mais significativos e representativos da sua obra poética.

 

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Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, sobre a poesia de Álvaro de Campos:

“Campos é um grande prosador, um prosador com uma grande ciência do ritmo; mas o ritmo de que tem ciência é o ritmo da prosa, e a prosa de que se serve é aquela em que se introduziu, além dos vulgares sinais de pontuação, uma pausa maior e especial (…)
Com emoções fareis só música. Com emoções que caminham para as ideias, que se agregam ideias para se definir, fareis o canto. Com ideias só, contendo tão somente [?] o que de emoção há necessariamente em todas as ideias, fareis poesia. E assim o canto é a forma primitiva da poesia (…)”

 


 

FICHA TÉCNICA

Música Luís Soldado
Texto Álvaro de Campos / Fernando Pessoa
Encenação Alexandre Lyra Leite
Direcção musical Rui Pinheiro
Barítono Rui Baeta
Soprano Inês Simões
Flauta Daniela Pinheiro
Fagote Catherine Stockwell
Viola Magda Pinto
Violoncelo Sofia Azevedo
Concepção visual Alexandre Lyra Leite
Design gráfico e Ilustrações Rita Leite
Montagem e Assistência técnica Fernando Tavares
Apoio à produção Yara Cléo, Susana Serralha, Cristina Rodrigues Pereira
Produção Inestética companhia teatral
Agradecimentos Academia de Música de Óbidos, Clara Riso (Casa Fernando Pessoa), CESEM – Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical – FCSH/UNL, LAMCI

Projecto financiado por
República Portuguesa – Cultura / DGArtes
Fundação GDA
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Colaboração
Casa Fernando Pessoa
Apoios
Arte Franca – Publicidade
Imarte – Design

M/12 anos

 

 


 

BIOGRAFIAS

Luís Soldado
Compositor

Investigador integrado no Centro de Sociologia e Estética Musical, CESEM, Universidade Nova de Lisboa, onde se encontra a desenvolver projetos relacionados com o estudo e composição de ópera contemporânea e suas novas formas de comunicação, como bolseiro de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Desde 2015 ocupa o cargo de Compositor Associado da Orquestra Clássica do Sul. A sua música tem sido programada por vários grupos e orquestras, entre os quais, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, London Contemporary Chamber Orchestra, Nederlands Blazers Ensemble, RCM Sinfonietta, Orquestra Gulbenkian e Composers Ensemble. De entre as suas obras mais recentes, destacam-se a ópera de câmara Hotel Suite, com libreto de Rui Zink, estreada em 2011, em Londres, a ópera Fado Olissiponense, com libreto de Rui Zink, estreada em 2012 no Teatro Nacional de São Carlos, e a ópera de câmara O Corvo, de Edgar Allan Poe, estreada em 2015 e editada em CD em 2016 pela Inestética.

 

Alexandre Lyra Leite
Encenador

Estudou Cinema na ESTC – Escola Superior de Teatro e Cinema e Produção e Gestão Teatral no IFICT – Instituto de Formação, Investigação e Criação Teatral, em Lisboa. Em 1991 fundou a Inestética companhia teatral, onde desenvolve actividade profissional como director artístico, encenador, produtor e autor.
Director artístico do projecto Palácio – Espaço de Criação e Difusão das Artes, Palácio do Sobralinho, desde 2013.
Já encenou espectáculos nas áreas do teatro, performance e ópera, bem como vários musicais infantis para a Universal Music Portugal.
Formador desde 2006 na ETIC, Lisboa, nos cursos de Realização, Vídeo e Animação 2D/3D.
Premiado em três edições do Concurso “O Teatro na Década”, organizado pelo Clube Português de Artes e Ideias, e bolseiro na área de Artes do Espectáculo/Teatro do Centro Nacional de Cultura, Lisboa, e da Fundação Calouste Gulbenkian.
Foi distinguido com a Placa de Mérito Cultural da Cidade de Vila Franca de Xira, em 1996.

 

Rui Pinheiro
Director Musical

Actual Maestro Titular da Orquestra Clássica do Sul (Algarve). Terminou recentemente um contrato de dois anos como Maestro Associado da Orquestra Sinfónica de Bournemouth (Reino Unido). Em Portugal dirige regularmente as orquestras Gulbenkian e Sinfónica Portuguesa entre outras. Internacionalmente destacam-se concertos com a Ópera de Gales, Orquestra Sinfónica de Bournemouth, Orquestra Estatal ‘Ion Dumitrescu’ (Roménia) e apresentações nos BBC-PromsPlus, festival Vienna – City of Dreams (Philarmonia Orchestra) e no Barbican em Londres. Foi Director Musical do Ensemble Serse (ópera barroca em instrumentos de época) e do Ensemble Disquiet (música contemporânea).
Possui um Mestrado em Direcção de Orquestra do Royal College of Music (Londres). Após concluir a licenciatura em piano na ESMAE estudou na Academia Ferenc Liszt (Budapeste). Possui um Mestrado em Artes Musicais da Universidade Nova de Lisboa. Gravou para a RDP–Antena 2, BBC-Radio 3 e para a Numérica.

 

Rui Baeta
Barítono

Diplomado em Canto pela Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa (1998) e licenciado em Canto pela Escola Superior de Música de Lisboa (2002). Barítono, cantor solista, intérprete, professor de técnica vocal e criador/director de projectos musicais. Já colaborou com os encenadores Diogo Infante, Ricardo Pais, Alexandre Lyra Leite, João Grosso, Olga Roriz, Jonh Retalack, Nuno Cardoso, André Kowlavski, João Lourenço e Jorge Silva Melo, entre outros.
Aperfeiçoamento artístico na Fondation Hindemith na Suíça, na Academie Francis Poulenc em França e na Mozarteum Akademie na Áustria. ?Na qualidade de barítono solista destacam-se concertos com Orquestra Nacional do Porto, Orquestra de Cascais e Oeiras, Orquestra das Beiras, Orquestra do Algarve, Camerata de Lyon, Ensemble D’Arcos, Sinfónica Portuguesa, Metropolitana de Lisboa e FCG.
Protagonizou a ópera de câmara “O Corvo”, de Luís Soldado, a partir de Edgar Allan Poe, produzida pela Inestética companhia teatral.

 

Inês Simões
Soprano

É Mestre em Artes, Estudos Vocais Avançados, pela Wales International Academy of Voice, onde estudou com Dennis O’Neill, e em Canto pela Guildhall School of Music and Drama, onde ganhou o Tracey Chadwell Memorial Prize, participou no curso Opera Works da English National Opera, e coordenou o projeto Mini Operas. É licenciada pela Academia Nacional Superior de Orquestra. Ganhou o 3º lugar do Prémio Jovens Músicos 2010 e o 2º lugar no Prémio José Alegria em 2008.
Em ópera, trabalhou com os maestros Hannu Lintu, Paul McCreesh, João Paulo Santos e Nuno Côrte-Real, os encenadores Figueira Cid, Max Hoehn e Fernanda Lapa. Apresentou-se em várias cidades do país, no âmbito do projeto europeu ENOA, em vários festivais em Londres e colaborou com Festival Dias da Música no CCB, Festival Terras Sem Sombras, Ensemble d’Arcos e Ensemble Contemporaneus.
Apresenta-se regularmente em recital e é uma grande entusiasta de música contemporânea, tendo cantado para o Oxford Lieder Festival, Song in the City Concert Series, Barbican Hall, Barbican Pit, Sadler’s Wells, London Coliseum, British Museum, Millennium Centre, BBC Radio 3 In Tune e Antena 2.
Em 2015 lançou o seu primeiro Cd – Alma Ibérica – pela Editora Discográfica Sonus Music. Esta colaboração com o pianista Daniel Godinho recebeu o Apoio à Edição Fonográfica de Intérprete 2013 pela Fundação Gestão dos Direitos dos Artistas e visa a divulgação do repertório ibérico de canção lírica.

 

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