uma performance de Rita Leite
com Anna Carvalho e Linda Valadas


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Joana Dark: Come a sopa, Joana
por Joana Rita Sousa, RDB (Rua de Baixo)

«Nome? Ainda te lembras do teu nome? Joana Dark» – é a proposta da sala 3. Trata-se de uma performance teatral inspirada na figura histórica Joana d’Arc. A Inestética Companhia Teatral apresenta-nos um texto e encenação de Rita Leite, encontrando-se a interpretação a cargo de Anna Carvalho e Linda Valadas. A música está a cargo de Luís Soldado.

Algures entre a salvação e a carnificina, Joana encontra-se em missão. Salvar o país é o seu desígnio, mas pelo meio há questões, há dúvidas e uma sopa para comer. Durante o processo de concepção deste projecto, Rita confessa que a situação do país não lhe ficou indiferente «os ensaios coincidiram com a manifestação do 15 de Setembro e a Joana d’Arc tem uma história de conflitos.» Para Rita, «questionar o bem e o mal foi para nós um ponto de partida interessante.»

Anna e Linda vestem, ambas, o papel de Joana. A performance apresenta-nos uma Joana guerreira e uma Joana absorvida por dúvidas, que não quer mais comer aquela sopa de sempre. O sentido de missão é colocado em causa; o conflito aqui presente é sobretudo interior e cada um de nós pode rever-se naquele diabólico sentimento de quem não sabe que caminho tomar na encruzilhada.

A sala 3 do Teatro Rápido oferece-nos uma «sopa» em que a teatralidade, a música e a coreografia das personagens se sobrepõem à escuridão do cenário. Somos convidados a viajar à infância, onde a Joana tinha que comer a papa, mesmo que não a quisesse nem compreendesse a importância de o fazer. Joana Dark é o novo Come a papa, Joana, come a papa, ao qual acrescenta a capacidade de questionar o que se faz, sem receio dos vincos que teimam em não abandonar os tecidos que engomamos com o sentido de missão de quem está a salvar o seu país.

www.ruadebaixo.com/teatro-rapido-novembro2012.html
Nov 2012





JoanaDark
por Sónia Castro, Le Cool Magazine

Em 15 minutos tudo pode acontecer. Uma pessoa pode até ficar sem saldo no telemóvel, depois sem rede e ainda sem bateria. Acontece aos melhores. Até mesmo à JoanaDark. Claro, sem enganos. JoanaDark e não Joana d’Arc. Até poderiam ser descendentes uma da outra, mas, linhas temporais à parte o que interessa é que esta tem pela frente uma alcateia. E tem três opções: escolher a salvação, ou a carnificina, ou pedir a ajuda do público. Bem, esqueçam a última. Afinal são só duas as hipóteses. Há que optar entre duas Joanas: a guerreira, regida pela fé, uma figura quase supra-humana, ou a outra, vulnerável, que questiona os limites da fé, verdade e consciência. E o tempo está a contar…

http://lisboa.lecool.com/lisboa/pt/43036
Nov 2012




Reportagem RTP Artes
Nov 2012





Num cantinho escuro
por Rita Branco Jardim, Sobre as Cenas (blog)

Espelho. Ambas são Joana e ambas não são. Às vezes não sabem o que estão ali a fazer e nós também não. Estamos num mundo escuro, numa realidade estranha meio orwelliana em que uma voz dá instruções sobre o que se deve fazer e parece vigiar tudo o que se faz. Joana ainda sabe que se chama Joana, ainda consegue recusar-se a algumas coisas, ainda quer lutar, mas já não se lembra que país veio salvar, numa rebuscada aproximação à primeira, a d'Arc.
Num cenário despido e abstracto, estão duas pessoas vestidas de igual e ainda não sabemos se elas são ou não a mesma pessoa, porque todo o resto da cena indica um espelho imperfeito.
No desenrolar da acção percebemos que ambas as actrizes são Joana Dark à vez, uma delas é também a voz e prisioneira da voz, à vez, e a própria voz parece ser uma delas ou já ter transformado uma delas, em si.
Temos uma Joana que não quer comer a sopa, como todos nós já conhecemos da infância, mas aqui a delicadeza e a leveza infantis são substituídas por gritos e agressividade para os quais nem sempre percebemos a justificação. Há uma enxurrada de palavras a demonstrar até que ponto uma pessoa pode tornar-se um autómato e isso transmite-nos uma estranheza, um incómodo por nos poder ser familiar do mundo em que vivemos. Tecnicamente, este momento foi prejudicado pelo eco da sala, que dificultava a nossa percepção e dava a ideia de uma má dicção da actriz.
As criadoras do espectáculo, Anna Carvalho, Linda Valadas e Rita Leite, inspiraram-se na realidade actual, onde vemos hoje muitos a recusar-se a comer a sopa que lhes é imposta, mesmo não sabendo bem que sopa quereriam comer. Há uma revolta latente contra o que nos impõem: metade de nós acaba por explodir e mandar a sopa pelos ares, parte desses sabe ainda pelo que luta, outros nem tanto; outra metade prefere continuar sem pensar, sem questionar.
Toda a performance é esteticamente interessante, culminando nas cenas finais em que a bandeira portuguesa, veste de uma das actrizes, contrasta com o vestido virginal da outra, a lembrar a donzela mártir que ainda luta, apesar de já não se lembrar por quê.
A música de cena, de Luis Soldado, é um muito feliz apontamento que nos põe alerta e que nos dá um sentimento mais cinematográfico, envolve-nos no que vemos no palco.
No final, a Joana, cada versão dela, insiste, põe-se à nossa frente e grita-nos sem palavras: vais continuar a lutar mesmo que não acredites ou vais quebrar e comer a sopa que escolheram para ti?
Quanto a mim, é zugzwang: ambas são más, mas há que jogar.

http://sobreascenas.blogspot.pt/2012/11/num-cantinho-escuro.html
Nov 2012



Reportagem RTP Bom Dia Portugal
22 Nov 2012




 




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