O lado negro de Poe brilha no Theatro Circo
BADIO Magazine Cultural de Braga, Jan 2017

Há algumas boas razões para não perder o espectáculo “O Corvo” esta quinta e sexta no Theatro Circo. Aqui fica uma mão cheia:

1. É a primeira vez, desde a reconstrução do Theatro circo em 1999 que uma ópera de câmara sobe ao palco principal da sala bracarense. Esta versão “light” da ópera tradicional está destinada a espaços mais pequenos e sem a “artilharia pesada” das grandes orquestras, o que não diminui de modo algum o espectáculo, proporcionando uma experiência mais próxima e intensa ao espectador.

2. Esta é uma rara oportunidade de ver uma ópera cantada em português, algo pouco frequente num género dominado pelo alemão e italiano e num país onde são escassos os espectáculos deste tipo.

3. O poema de Edgar Allan Poe traduzido por Fernando Pessoa. Há obras que se confundem com os seus criadores e “O Corvo” é não só uma das mais belas e geniais criações do escritor americano mas certamente aquela que ficará para sempre gravada no adn do autor. O poema apresenta características únicas em termos de métrica, fonética e musicalidade tendo constituído um desafio acrescido aos tradutores, tarefa só ao alcance de génios como Fernando Pessoa que conseguiu com brilhantismo e mestria fazer a tradução mantendo intactas as características que tornaram este poema único.

4. O tema. A ave negra e agoirenta que dá nome ao poema de Poe carrega um peso simbólico significativo. É um animal inexpressivo e misterioso cuja sinistra presença afecta os presentes. “O corvo” convida-nos à reflexão sobre a mortalidade, a solidão, o vazio e a experiência perturbadora de enfrentar a inexorabilidade da nossa finitude. Pela representação e voz de alguém que se confronta com a morte somos inevitavelmente arrastados para este universo sombrio de sofrimento e revolta de quem fita o abismo e materializa em palavras um sentimento transversal à condição humana.

5. A qualidade inquestionável da produção e dos seus intervenientes. Do virtuosismo do barítono Rui Baeta ao rigor e criatividade do encenador Alexandre Lyra Leite, passando pela conjugação de talentos de toda uma equipa orientada para o mesmo fim, “O Corvo” que sobe ao palco principal pela mão da companhia Inestética é a mais perfeita e acessível viagem que podemos fazer ao universo obscuro e fantasmático da obra de Edgar Allan Poe.

http://badio.pt/artes/lado-negro-poe-brilha-no-theatro-circo/

 

Rui Baeta canta ópera sobre "O Corvo" de Poe
por Bernardo Mariano / Diário de Notícias, Out 2016

Pela primeira vez, e à 28.ª edição, a Temporada Música em São Roque integra ópera na sua programação. Será amanhã à tarde (às 16.30), no Mosteiro de Santos-o-Novo, com "O Corvo", de Luís Soldado, "ópera de câmara para barítono, bailarina e ensemble de 4 elementos", que tem por libreto o famoso poema de Edgar Allan Poe, na tradução de Fernando Pessoa.

No princípio, num absoluto silêncio, há um homem tentando desfazer-se de um corpo: "é a encenação da necessidade do protagonista de se libertar daquela memória, daquela mulher", explica-nos Alexandre Lyra Leite, diretor da Inestética-Companhia Teatral, ideólogo do projeto e encenador desta produção, que já passou por Vila Franca e Montemor-o-Novo e chega amanhã a Lisboa, ali bem perto de Santa Apolónia.

O Corvo, publicado em 1845, é uma das criações máximas de Edgar Allan Poe e exemplo do Romantismo tétrico e mórbido. "Tenho desde sempre um fascínio por Poe, presença recorrente no meu trabalho, e por este poema em particular, que conheço desde a adolescência, pois tem um lado fantasmático que liga muito com o meu percurso criativo", conta Alexandre. "Pensei logo no Luís Soldado para compôr e no Rui Baeta [barítono] para cantar".

"É um texto dificílimo, porque é muito hipnótico e com muitas repetições!", confessa Rui Baeta. Por seu turno, Luís Soldado, fala de "o maior desafio e o maior receio" a respeito da musicalidade interna do poema - "como vou mexer naquilo?", lembra-se de se ter perguntado. Desafio avolumado porque "nunca tinha escrito um monodrama [ópera com um só personagem] e este tem quase uma hora de duração, o que é raro em monodramas!"

Vetor importante foi a inteligibilidade do texto: "quis que o texto passasse o mais claro possível para o público", refere Luís, nisso indo ao encontro de algo enunciado por Alexandre: "confrontar o público com algo a que não está habituado: ouvir ópera em português, anulando a distância da língua". Já Rui fala de "um ritmo musical genericamente lento, que permite perceber como o texto é "encorpado" e habitado".

Para isso concorrem ainda, diz, "os vários registos que me são pedidos: há o falado, o estilo recitativo e há o cantado, que é 95% dos casos e que alcança mesmo, por vezes, um lirismo pós-verista".

Para o compositor, "a ópera é sempre uma tensão entre o texto e a música - e a música tem que ganhar!" Para O Corvo, Luís refere que Alexandre lhe pediu "um ambiente que fosse um misto de Harry Potter e Tim Burton". Antes de se lançar na escrita, acrescenta, "fiz pesquisa de bandas sonoras de filmes de terror atuais, para ver o que se está a fazer". Esse universo deixou algo: "o que compus quase podia ser música para filme, se não fosse a voz lírica".

Em termos musicais, "há um crescendo contínuo até um clímax já perto do final, após o que há uma rápida resolução". Para ele, esse crescendo reflete "o acumular de tensão dentro da própria personagem, cada vez mais angustiado e atormentado, num clima cada vez mais opressivo".

O clímax, diz Alexandre, "é o momento de maior desvario e descompensação do protagonista". Já a resolução lê-a como "o entendimento de que é inútil [tentar esquecer a falecida amada] e a aceitação do seu destino".

Atenção especial mereceu a expressão recorrente ao longo do poema: "Nunca mais!" - "É cantado com variações de intenção, mas a ideia é que comece gradualmente a incomodar, tornando-se mais assertivo e definitivo, pois desde a primeira vez quer dizer a mesma coisa: "Tu não tens salvação!"", interpreta Rui. Já Luís assume com humor: "Não resisti à "tentação" de associar um Leitmotiv [motivo condutor] a essas palavras". Por sua vez, Alexandre explicita a solução cénica: "A personagem está presa num espaço que é uma cama-campa de folhas secas, mas que é um espaço interno, interior. É uma ilha, uma tumba de que ele não consegue escapar. No final, ele percebe que está condenado a viver com a presença daquele corvo - que mais não é senão a "versão negra" da sua amada que regressa para o atormentar - até ao (seu) fim."

http://www.dn.pt/artes/interior/rui-baeta-canta-opera-sobre-o-corvo-de-poe-5456442.html

 

PÚBLICO
https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/musica-em-sao-roque-aposta-nas-sonoridades-da-musica-portuguesa-1748187

SCML - TEMPORADA DE MÚSICA EM SÃO ROQUE
http://www.scml.pt/pt-PT/28tmsr/23_out/

MUTANTE
http://mutante.pt/2015/11/opera-o-corvo-inestetica/
http://mutante.pt/2016/10/opera-o-corvo-temporada-de-musica-em-sao-roque/

EM VIAGEM / NEVERMORE por F. S. CHAMBEL
https://emviagemsite.wordpress.com/2016/01/29/nevermore/

GERADOR
http://gerador.eu/o-corvo/

e-CULTURA - CENTRO NACIONAL DE CULTURA
http://www.e-cultura.sapo.pt/evento/1556

AGENDA CULTURAL DE LISBOA
http://www.agendalx.pt/evento/o-corvo#.WCJH86OtFuU

O MIRANTE
http://omirante.pt/cultura-e-lazer/2015-11-20-inestetica-estreia-o-corvo-no-palacio-do-sobralinho

GLOSAS
http://glosas.mpmp.pt/corvo-opera-luis-soldado/

CANELA&HORTELÃ
http://canelaehortela.com/opera-o-corvo-no-palacio-do-sobralinho-em-vila-franca-de-xira1593/

CULTURA DE BORLA
http://culturadeborla.blogs.sapo.pt/temporada-musica-em-sao-roque-arranca-3744782

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